Turismo de Sol e Praia (Parte 2)
TURISMO DE SOL E PRAIA (parte 2)
Locutora – O destino turístico de sol e praia é um dos mais procurados em todo o mundo. Investimento com retorno garantido para os países litorâneos, como o Brasil. O projeto Excelência em Turismo, desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Sebrae e executado pela Associação Brasileira de Operadores de Turismo (Braztoa) levou empresários brasileiros para observar as melhores práticas no setor de sol e praia. Uma equipe conheceu a experiência na Ilha de San Martin, no Caribe. Outra foi para Alagoas. As conclusões sobre esses destinos você encontra aqui.
Apresentador – San Martin é a menor ilha do Caribe. Devastada por um furacão nos anos 90, investiu no turismo e hoje grande parte do produto interno bruto vem deste setor. Mas como uma pequena ilha Caribe, meio francesa e meio holandesa, pode se tornar um destino turístico mundialmente conhecido? Planejamento. A Ilha de San Martin Fez o dever de casa e uniu empresários em um projeto de médio prazo. Em 1994 fez um plano de metas para dez anos, que foi renovado. O objetivo agora é aumentar em 52% o fluxo de turistas.
Locutora – San Martin precisava competir com outros destinos caribenhos que também tem sol e praia o ano inteiro. Por isso, investiu em um ramo de mercado e hoje é a capital gastronômica do Caribe. São restaurantes para todos os perfis de público, desde os mais requintados até os mais simples. O investimento na gastronomia agrega valor ao destino turístico e se transforma em uma opção para os turistas no período da noite. Muitos investem em música ao vivo e em todos eles o cliente é recebido na porta pelo gerente ou pelo próprio dono.
Ângela Leite (da agência Schone Reise, Salvador-BA) – O pedido do prato é uma coisa detalhada. Ele se preocupa em perder tempo, em saber exatamente como você quer, mas o pedido vem rápido.
Elida Domes (da Marveira Turismo, Fortaleza/CE) – Ele aceita cartão, ticket-refeição, dinheiro, que ele dá aqueles cupons de desconto pra quem volta lá, fazer a indicação. Então, ele já acha que é alguma coisa a política de desconto.
Locutora – Para atrair o paladar e o bolso, os empresários investem no visual logo na entrada. São comuns os restaurantes com tanques em que se vê enormes lagostas vivas para serem escolhidas pelo turista. No Brasil não é diferente, mas é em menor escala. Empresários da Costa do Corais, litoral norte de alagoas, investem em pratos que unem tradição e inovação. As pousadas ou hotéis de charme também oferecem uma culinária regional de excelência, agregada a criatividade na decoração do salão e das mesas. Mas para garantir excelência, é preciso capacitação em todas as áreas. Seja no receptivo nas pousadas ou nos restaurantes.
Iran Cavalcante (da Companhia da Lagosta, Alagoas/AL) – A Companhia da Lagosta antes era um pequeno boteco onde meu pai servia coquetéis, drinques. E eu vi a necessidade da profissionalização. Aí fui pra Recife. Morei em Recife por volta de seis anos, fiz curso de garçom no Senac de Pernambuco. Fiz curso de cozinheiro no Senac também. Fiz alguns cursos e em seguida fiz superior tecnológico em hotelaria voltado com ênfase pra gastronomia.
Apresentador – E vale lembrar que o turismo de sol e praia não é apenas descanso ao sol ou boa comida. É também diversão. San Martin oferece aos turistas 44 passeios diferentes e a comercialização é muito boa. A lista dos passeios está disponível em todos os hotéis, pousadas e pontos turísticos de forma bem visível.
DIVERSIDADE
Locutora – O produto de maior procura na ilha é a regata. San Martin é o único lugar do mundo onde qualquer turista pode vivenciar a experiência de participar de uma competição como velejador profissional.
Marco Vitorazzo (da Maremar Turismo, Ilhabela/SP) – Esse circuito Match Race é muito interessante pra gente levar até o Brasil em algumas cidades. Você consegue fazer um simulado de uma regata que a gente já faz lá em Ilhabela, esses Matches Races pra empresas coorporativas. Mas nunca tinham usado isso como turismo ou pra pessoas turísticas. Isso é muito interessante, muito gostos de participar.
Locutora – O safári aquático é outra inovação. O passeio combina dois equipamentos: o barco inflável e o Jet Sky. É o Rino-safári.
Cláudia de Silveira (da Sudoeste SW, Angra do Reis/RJ) – O que a gente tira de mais proveitoso é como eles conduzem os turistas, como eles fazem toda a explicação do passeio. Isso eu acho muito interessante, que a gente não tem esse costume no Brasil, de ser tão claro nas explicações.
SEGURANÇA
Locutora – Antes de cada passeio, os guias dão explicações detalhadas sobre o equipamento e a segurança dos turistas.
Instrutora – Qualquer sinal de perigo, é isso aqui ó. Se o barco pegar fogo, se virar, sei lá eu, qualquer coisa é isso aqui ó.
Locutora – Outra dica que parece mero detalhe, mas que faz uma grande diferença, é deixar as regras claras para que o turista saiba o que pode e o que não pode fazer. Como por exemplo: só entrar no barco descalço. Quem vai ao passeio, deve deixar os sapatos em uma caixa na entrada. Além de evitar o risco de escorregar no convés, a medida aumenta a vida útil do barco.
COMERCIALIZAÇÃO
Locutora – E aos passeios, se agregam outros serviços que aumentam a rentabilidade para os empresários. Na regata, por exemplo, o turista pode comprar um diploma de participação, fotos e lembrancinhas.
Marcos Vitorazzo (da Maremar Turismo, Ilha Bela/SP) – Então, nós chegamos em terra e tem o quê? Fotografias nossas, do que aconteceu na regata e também suvenires que você pode adquirir como camisetas, bonés, chapéus, essas coisas todas.
Cláudia de Silveira (da Sudoeste SW, Angra do Reis/RJ) – E outra coisa muito interessante são as atividades agregadas. Você chega, você tem uma lojinha com as roupas com o nome do local, as fotos que eles batem. Você sai e já é instruído a fazer uma pose pra tirar uma foto onde é vendido. E isso no Brasil eu ainda não vi. Esse tipo de organização. Eles ganham não só com o passeio, mas eles ganham em todas as atividades agregadas ao passeio.
CONFORTO
Locutora – Outra dica que vem de San Martin é o conforto oferecido aos turistas nas praias. As barraquinhas têm decoração especial, com mesas, cadeiras e espreguiçadeiras de qualidade. Além disso, eles aproveitam produtos naturais para construir os quiosques.
Turista – Uns barzinhos bem legais. Tudo integrado, de madeira, palha. Achei bem legal o jeito que eles usam essa treliça, que a gente tem esse material na Bahia com a palha de coco em cima.
BRASIL
Locutora – Mas o maior exemplo de cuidado com o meio-ambiente vem mesmo do Brasil. Em Maragogi, uma grande preocupação na hora dos passeios é mostrar a importância do cuidado com a natureza. O guia faz questão de trabalhar a educação ambiental com os turistas e a segurança de todos.
Guia – Vamos mergulhar. Procurem sempre ficar a meio metro, um metro de distância, fazendo sempre um turismo de observação. Aí, a gente não vai quebrar os corais.
Apresentador – Nós já vimos que para atrair os turistas e se tornar um local de excelência o destino de sol e praia precisa mais do que descanso a beira-mar. É preciso investir na variedade de atrações e atividades, na segurança, nos cuidados com o meio-ambiente, na comercialização e diversificação dos produtos e na gastronomia como opção para roteiro noturno. E para que tudo isso se torne viável, a parceria entre os empresários é indispensável. Veja o exemplo de Alagoas.
ASSOCIATIVISMO
Locutora – As micro e pequenas empresas de Maragogi apostaram no associativismo para fornecer um produto de qualidade. Todos estão integrados em uma rede de cooperação. Receptivos, hoteleiros, buggeiros, proprietários de barcos, e prestadores de serviço.
Dílson Araújo (subsecretário de Turismo de Alagoas) – São pessoas que estão organizadas, estão bem preparadas, estão dentro de um oficial. E isso é resultado positivo pra todas as partes.
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