Formação de Preços I (Parte 2)
Negócios & Soluções
FORMAÇÃO DE PREÇOS I (parte 2)
Wilson Ferreira (consultor gastronômico) - Quanto mais maduro o tomate, mais gostoso fica o molho e mais barato fica, né? Agora vamos introduzir a mussarela.
Paulo Markun - Velha e boa mussarela.
Wilson Ferreira - Isso. Geralmente é usado 400 gramas.
Paulo Markun -Tomates?
Wilson Ferreira - Distribuindo os tomates para dar aquele colorido, aquela cor da Itália. Agora aqui, vamos distribuir os manjericões.
Paulo Markun - “Aham!”
Wilson Ferreira - Pode ser da “família”, “da alfa vaca”, o “anãozinho”, qualquer um serve. E agora as azeitonas; geralmente são usadas oito, isso daí equivale a 50 gramas.
Paulo Markun - Então, quer dizer, tudo isso a gente pode contabilizar e saber o preço que deu o seu produto.
Wilson Ferreira - Sim.
Paulo Markun - E vamos lembrar, mais uma vez, nós estamos falando de pizza, mas isso vale para uma série de outras coisas.
Luís Alberto Lobrigatti (consultor) - Sem dúvida. O comércio, por exemplo, ele compra pronto já para vender. Então o valor de aquisição das mercadorias, seja roupa, alimentos prontos, né? Ele tem o valor de custo no momento da compra, tudo que gasta pra ter a mercadoria.
Paulo Markun - Então, isso aqui eu queria checar, me empresta aqui um pouquinho. Eu vou passar aqui.
Wilson Ferreira - Só falta dar uma pitadinha de orégano.
Paulo Markun - Opa! Sem orégano, não é a verdadeira marguerita.
Wilson Ferreira - Sem o orégano, sem o orégano não dá, né? Agora, pronto.
Paulo Markun - Que, também, você tem que contabilizar porque é uma especiaria e não é baratinho.
Wilson Ferreira - É, com certeza.
Paulo Markun: Então, feito tudo isso, vamos passar a pizza aqui pro Luís, pra ele colocar outros ingredientes que, às vezes, a gente ignora que eles existam ou deixam de contabilizar.
Luís Alberto Lobrigatti - Aqui está o custo direto da elaboração da massa, da cobertura da pizza, mas toda empresa tem outros gastos.
Paulo Markun - Você vai ver o custo da mercadoria vendida?
Alberto Lobrigatti - É o custo da mercadoria, o custo do produto, no caso da pizza. Mas todas as empresas têm outros gastos, despesas mensais que precisam, também, ser colocadas na pizza; como salários, tem um pizzaiolo, tem um atendente, a própria lenha, no caso de forno a lenha, ou energia. E a gente está usando a pizza como uma ilustração.
Paulo Markun - Por que é que essas bandeirinhas, elas estão em vermelho? O que tem elas?
Luís Alberto Lobrigatti - É um alerta porque essas despesas têm uma característica: faça venda ou não faça venda, elas estão lá para ser pagas.
Paulo Markun - Ah, não importa se você vendeu uma pizza ou cem, tem que pagar os salários.
Luís Alberto Lobrigatti - Elas estão lá. Então, nós vamos ter uma quantidade boa de vendas nas empresas para cobrir essas despesas.
Paulo Markun - Vamos botar mais vermelhinho.
Luís Alberto Lobrigatti - Então, temos o aluguel. Aqui vale um destaque: empresas que têm prédio próprio, mesmo assim devem considerar o custo do aluguel do espaço que estão utilizando.
Paulo Markun - Porque se ela não tivesse aquilo ali, tivesse alugado para alguém, ela estava faturando.
Luís Alberto Lobrigatti - E voltando à história da concorrência. Então, eu olho pro meu concorrente, ele tem prédio próprio, não está pondo um custo de espaço, o preço dele, de repente, está mais baixo,né? É um valor menor. Só que não está remunerando bem o espaço ocupado, eu vou segui-lo assim? Energia... Olha, os custos são tão pesados que até...
Paulo Markun - A bandeirinha, né?
Luís Alberto Lobrigatti - Como, né? Esse que é o sofrimento das empresas, né? Então temos água, encargos sociais dos salários, os encargos trabalhistas. E aí uma série de outros gastos, manutenções, propaganda que a gente vai ilustrar aqui como outras despesas.
Paulo Markun - Entendi.
Luís Alberto Lobrigatti - E o empresário deve levar em consideração o planejamento desses gastos para, digamos aí, os próximos doze meses. Quanto que ele vai gastar e contemplar em cada produto um pedacinho desses gastos para que ele consiga, através do preço e do volume de venda, pagar essas despesas.
Paulo Markun - Lembrando essas bandeiras vermelhas, ou seja, esses itens de despesas são despesas fixas.
Luís Alberto Lobrigatti - Exato. Tem esse tratamento justamente porque estão lá, né? Para ser pago.
Paulo Markun - Chova ou faça sol.
Luís Alberto Lobrigatti - Venda ou não venda, faça chuva o faça sol, estão lá.
Paulo Markun - E as azuizinhas?
Luís Alberto Lobrigatti - As azuizinhas, a gente vai considerar os gastos que acontecem por ter venda. Então vamos pensar numa pizzaria. O delivery, se embutido no preço da pizza, eu vou ter de pensar no valor que eu vou gasta para entregar. Agora se eu colocar à parte, né?
Paulo Markun - Eu tava no Rio de Janeiro no fim de semana, passei lá agora. Quase cai da cadeira quando vi o preço da pizza entregue em casa, bastante salgado. Talvez porque tenha menos concorrência.
Luís Alberto Lobrigatti - É, e deve ser mais perigoso andar por lá.
Paulo Markun - Que mais.
Luís Alberto Lobrigatti - Algumas empresas trabalham com o comissionamento dos vendedores.
Paulo Markun - Você vê que daqui a pouco não vai ter mais lugar colocar bandeirinha.
Luís Alberto Lobrigatti - Então, quer dizer, a pizza, na verdade, representa os impostos sobre as vendas, né? Também são valores. Estes em azul pra destacar aqueles que acontecem em função de ter tido a venda.
Paulo Markun - De acordo com o movimento.
Luís Alberto Lobrigatti - Tipo assim: teve venda, tem essas despesas; não teve venda, não acontece. E aí cada empresa tem sua realidade. Umas trabalham muito com cartão de crédito, então, tem taxa de administração de cartão; outras têm uma movimentação bancária bastante intensa. A CPMF também deve ser levada em consideração nesta constituição de preço. Enfim, a empresa tem que...
Paulo Markun - E, recuperando mais uma vez a idéia do seguinte: isso vale para uma pizza, mas pode valer para um parafuso, para uma camisa vendida numa loja porque todas essas instituições, essas empresas, esses ramos de negócio você tem: custos tos fixos, custos variáveis, impostos. E esses dois últimos?
Luís Alberto Lobrigatti - Deixamos aqui, este, que está com uma coloração também diferente- amarela - o pró labore. É muito importante, tem que estar no preço, mas antes de tudo tem que ser bem definido da empresa: qual é o valor do salário dos donos que administram, que estão lá trabalhando na empresa. Se não estiver no preço...
Paulo Markun - Não é a primeira coisa estabelecida, mas também não pode ser a última.
Luís Alberto Lobrigatti - Não pode ser a última, mas tem que estar adequado à condição da empresa. Não pode ficar fora do preço porque senão vai ficar entendido que aquele preço de venda não contempla pagar salário para os outros, né?
Paulo Markun - Ok.
Luís Alberto Lobrigatti - A finalidade é justamente proporcionar rentabilidade ao capital que foi investido. E isso é através do lucro, que é o preço de venda contempla o lucro. Nesse item vale do empresário a estratégia de competitividade, a estratégia de mercado que ele esta atuando. É essa visão do segmento que ele atua que vai determinar quanto de lucro ele vai poder ter na questão competitividade do preço.
Paulo Markun - Ok.
Luís Alberto Lobrigatti - Então, tudo isso contempla. Então a gente viu aqui que o preço de venda da mercadoria, no caso do comércio, de uma prestação de serviço, de um produto industrializado, ele representa todo o planejamento de uma empresa, seus custos, todas suas despesas.
Paulo Markun - E é necessário saber muito bem como é que você compõe essa confusão toda porque, senão, você pode estar perdendo dinheiro, ou você pode estar vendendo um produto caro demais e, portanto, não vai ter mercado e você pode estar inviabilizando seu mercado.
Luís Alberto Lobrigatti - Então é uma coisa que dá um certo trabalho, mas vale o sacrifício pelo sucesso do negócio. Um outro fator bastante importante e relacionado com o preço e com o sucesso da empresa é a questão do volume de venda. Com um preço corretamente calculado, mas um volume de venda pequeno, não vai resolver a situação da empresa. Então, precisa e está, é uma coisa diretamente relacionada com a outra, é um valor de preço para um certo volume de venda. Isso também tem que ser considerado na hora de formar o preço: “Quanto venderei?”.
Paulo Markun - Obrigado, Luís. Obrigado, Wilson. E agora Vamos ver quais foram os pontos principais dessa conversa. É sempre bom observar a concorrência na hora de formar o preço. Preço de custo é apenas um item, e não o preço final do produto. Existem despesas que precisam ser pagas mesmo se não houver a venda. Para compor o preço é necessário ter o domínio de todas as informações da empresa. O preço de venda é uma representação de todo o planejamento de uma empresa. Para formar o preço é importante considerar corretamente o volume de venda. E, se você ainda ficou com alguma dúvida sobre o que a gente conversou aqui, você pode acessar o portal do Sebrae na internet. O endereço é www.sebraesp.com.br. E a gente volta depois do intervalo.
Paulo Markun - Você viu no bloco anterior que alguns fatores devem ser levados em conta na hora de dar o preço ao seu produto. Agora veja o que o nosso consultor jurídico tem a dizer sobre esse assunto.
É LEGAL
Paulo Melchor (consultor jurídico) - Medidas simples podem reduzir custos e fazer a diferença no preço final dos seus produtos e serviços. Veja algumas delas: se informe com seu contador a forma mais econômica de pagar os tributos. As empresas devem optar entre o lucro real, lucro presumido ou sistema simples de tributação. Faça um planejamento trabalhista. Existem contratos de trabalho que se ajustam melhor às suas necessidades. Programe as férias e o banco de horas de seus empregados; e saiba que às vezes é mais vantajoso terceirizar algumas atividades. Seja criterioso na escolha dos fornecedores. Negocie valores, prazos de pagamento, juros, condições de entrega e exija a garantia dos produtos que possam apresentar defeito de fabricação. Medidas como essas tornarão sua empresa mais competitiva.
Paulo Markun - Primeiro, essa fábrica de sobremesas enfrentou o preconceito quando contratou funcionários com necessidades especiais. Depois, o diferencial se tornou no fator de união e aumento da produtividade.
Locutora - As máscaras, o uniforme não permitem distinção, aqui, eles são todos iguais. Dividem o local de trabalho, tarefas e, acima de tudo, obrigações, como qualquer funcionário de uma fábrica.
Luiza Moraes - Aqui, diferente, mesmo, é a empresa. O proprietário da “La Friole”, uma fábrica especializada em sobremesas, há sete anos tomou a decisão de passar a contratar pessoas portadoras de necessidades especiais.
Locutora - A primeira contratação teve uma mão do destino, aconteceu por acaso.
Comentários